CDT: O que te atrai no trabalho da CIA?
Bruna: Sobretudo trabalhar um texto de Brecht, que foi o que me moveu a ingressar de fato
nesse trabalho, e ainda me move a trabalhar. Além disso, o que me estimulou muito no início foi o método de preparo dos atores,
de grande incentivo à criação.
CDT: Qual sua impressão de The Tutor ao ler o texto?
Bruna: Em uma expressão (para mim, extremamente sedutora), pensamento marxista.
CDT: Como foi, para você, o processo de montagem?
Bruna: No início, como já disse, fui pega de surpresa e intimidada a criar. No entanto,
quando comecei a pegar o espírito a montagem tomou formas muito mais severas.
CDT: O que acha do texto e da peça?
Bruna: O texto é delicioso, como tudo o que sabe ser ácido. No começo achava muito difícil
olhar a fundo nos personagens, mas agora acho-os muito maleáveis e convidativos à criação.
CDT: Qual (s) seu (s) personagem (s)? Qual a importância
deles para o espetáculo?
Bruna: Meu personagem é o Läuffer ( o preceptor). Creio que ele seja a via de escape, a
concretização do monstro pretendido por Brecht em tudo o que há na peça, como se todos os personagens desembocassem inevitavelmente
(e lamentavelmente) nele.
CDT: Como se sente nesse período próximo da estréia?
Bruna: Até agora preferi não me lembrar que falta tão pouco tempo. Por isso estou calma.
CDT: O que espera da temporada?
Bruna: Espero sucesso. Espero público (quando digo sucesso me refiro a um trabalho bem
sucedido, e não a recordes de bilheteria).
CDT: Qual sua relação com o teatro antes dessa montagem
e qual agora?
Bruna: Foi (e principalmente será) um trabalho de exposição pessoal e de interação grupal
que eu nunca havia experimentado com tanta intensidade. Não pretendo me resguardar nunca mais.