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Cia Daraus de Teatro
Bruna Dezorzi

A descoberta do ardor teatral

 

Esta é a primeira experiência teatral de Bruna Dezorzi. Indicada por Bruna Lima (co-diretora do espetáculo) para a Cia Daraus de Teatro (CDT), Bruna teve logo de cara um grande desafio. Interpretar o preceptor (instrumento de crítica e repressão durante o espetáculo). Por ser uma peça com uma crítica muito acentuada à repressão, inclusive em relação à sexualidade, Bruna encontrou ( e ainda encontra) grandes dificuldades em se expor, mas conforme ela mesmo diz: Não pretendo me resguardar nunca mais.

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CDT: O que te atrai no trabalho da CIA?

Bruna: Sobretudo trabalhar um texto de Brecht, que foi o que me moveu a ingressar de fato nesse trabalho, e ainda me move a trabalhar. Além disso, o que me estimulou muito no início foi o método de preparo dos atores, de grande incentivo à criação.

 

CDT: Qual sua impressão de The Tutor ao ler o texto?

Bruna: Em uma expressão (para mim, extremamente sedutora), pensamento marxista.

 

CDT: Como foi, para você, o processo de montagem?

Bruna: No início, como já disse, fui pega de surpresa e intimidada a criar. No entanto, quando comecei a pegar o espírito a montagem tomou formas muito mais severas.

 

CDT: O que acha do texto e da peça?

Bruna: O texto é delicioso, como tudo o que sabe ser ácido. No começo achava muito difícil olhar a fundo nos personagens, mas agora acho-os muito maleáveis e convidativos à criação.

 

CDT: Qual (s) seu (s) personagem (s)? Qual a importância deles para o espetáculo?

Bruna: Meu personagem é o Läuffer ( o preceptor). Creio que ele seja a via de escape, a concretização do monstro pretendido por Brecht em tudo o que há na peça, como se todos os personagens desembocassem inevitavelmente (e lamentavelmente) nele.

 

CDT: Como se sente nesse período próximo da estréia?

Bruna: Até agora preferi não me lembrar que falta tão pouco tempo. Por isso estou calma.

 

CDT: O que espera da temporada?

Bruna: Espero sucesso. Espero público (quando digo sucesso me refiro a um trabalho bem sucedido, e não a recordes de bilheteria).

 

CDT: Qual sua relação com o teatro antes dessa montagem e qual agora?

Bruna: Foi (e principalmente será) um trabalho de exposição pessoal e de interação grupal que eu nunca havia experimentado com tanta intensidade. Não pretendo me resguardar nunca mais.